De Santo António, ao São João e São Pedro...Portugal sai à rua

 
 

Com o arranque do mês de Junho, arrancam as comemorações de rua, alusivas ao Santo António (Lisboa), São João (Porto) e São Pedro (Litoral-comunidades piscatórias).

Relativamente a Lisboa, as comemorações (12/13 Junho - em veneração a Santo António, nascido em Lisboa) enquadram as tradicionais marchas populares, as quais remontam ao ano de 1932 e que na altura, eram designadas por "ranchos". Nesse ano, apenas participaram 3 bairros: Alto do Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique. No entanto, desde o século XVIII que um pouco por todo o lado do país, se festejavam os Santos Populares com fogueiras e festas de rua. As marchas tiveram origem nas quadrilhas - grupos de cerca de 40 pessoas que percorriam as ruas da cidade e que paravam em frente aos palácios aristocráticos ou de casas abastadas, onde atuavam em contradança e de forma ruidosa.

Fazem parte dos festejos, os Tronos de Santo António (desde o séc. XVIII) e as Noivas de Santo António, esta última com origem no ano de 1958. Os tronos de Santo António, que até 2015 estavam quase extintos, eram uma réplica do altar da Igreja de Santo António, colocados nas soleiras das portas, eram feitos manualmente com recurso a  madeira, esferovite, plástico, papel autocolante de várias cores e tempo...muito tempo.  A tradição dos tronos de Santo António terá começado após o terramoto de 1755, quando a igreja de Santo António ficou parcialmente destruída. Particularmente querido dos lisboetas, Santo António não podia ficar sem casa e verificou-se a necessidade de se pedir "um milreizinho para o Santo António" e arrecadar fundos a fim de reconstruir a igreja. Uma vez que a tradição se estava a perder, em 2015 foi lançada uma iniciativa para a revitalizar e foram construidos 66 tronos. Este ano, o Museu de Lisboa-Santo António, disponibilizou aos particulares e coletividades, as estruturas de tronos para serem decoradas. Depois, os tronos ficarão expostos pelas ruas e bairros e farão parte de um roteiro cultural.

Quanto à iniciativa Noivas de Santo António, surgiu em 1958 para facilitar o casamento a jovens casais com dificuldades financeiras.

Não precisa de altar

O nosso Santo Antoninho

No coração pode ficar

Fazer dele o seu cantinho.

Oh, manjerico bem cheiroso

Pelo regar e por ao luar

Dá-lhe um rapaz bem jeitoso

Para com ela se casar.

A Festa de São João no Porto (23/24 Junho), julga-se que já existía no século XIV, tratava-se de uma festa pagã que festejava a fertilidade e a alegria das colheitas. Mais tarde passou a ser uma festa católica que celebra o nascimento de São João Batista. São típicas as fogueiras, os martelos, os balões de ar quente e o fogo de artifício.

Em Lisboa e no Porto não faltam os arraiais populares, as sardinhadas e os manjericos com versos.

Quanto ao São Pedro (29 Junho), as festividades também se fazem sentir com alegria, manjericos e muita sardinha.

Recordo a minha infância, onde ainda tive a sorte de saltar a fogueira, de dançar e de cantar à volta da mesma e de queimar alcachofras para respostas de amor. Outros tempos...outros bons velhos tempos.

Mas, vivam os Santos Populares e a bela da sardinha. Divirtam-se. Deixem-se contagiar.


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