Corre, corre cabacinha...

Será que vos foi contada alguma vez a história da Cabacinha? Pois era a história que em criança, me era contada repetidas vezes,  pela minha avó materna. Curioso que este fim de semana, o meu pai transformou uma, numa linda jarra para flores. E foi nessa altura que me recordei da história de uma velhinha que se escondia e se fazia transportar numa cabacinha para se refugiar dos perigos. Mas, para quem não conhece a história, transcrevo-a abaixo para que possam contar aos vossos filhos/filhas ou netos/netas.

Era uma vez uma velhinha que vivia só, na sua casinha da aldeia. Certo dia, recebeu uma carta da sua neta, que vivia numa terra distante. A carta trazia-lhe uma grande alegria – a neta ia casar-se e convidava a avozinha para assistir ao seu casamento. 

Tão contente ficou que imediatamente se pôs a caminho para não chegar atrasada. Depois de ter andado alguns quilómetros, surgiu à sua frente um grande lobo que lhe disse numa voz rouca:

--Ai, velhinha, que eu como-te! 

-Ai, não me comas, que eu estou muito magrinha. 

Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha! -Está bem na volta cá te espero! - respondeu o lobo e deixou-a seguir caminho. Lá mais adiante, surgiu-lhe na frente um urso, que, pousando-lhe as patas nos ombros, lhe disse ao ouvido:

-Ai, velhinha, que eu como-te! 

-Ai, não me comas, que eu estou muito magrinha. Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha! Tal como o lobo, o urso achou que a velhinha tinha razão e deixou-a seguir viagem, dizendo: 

-Está bem na volta cá te espero! Já quase no fim da viagem, uma terceira fera apareceu à velhinha – era um leão. 

-Ai, velhinha, que eu como-te! 

-Ai, não me comas, que eu estou muito magrinha. Vou ao casamento da minha neta e, quando de lá voltar, já venho mais gordinha!

O leão também acho que era melhor esperar que ela voltasse mais gordinha. Então disse-lhe:

-Está bem na volta cá te espero! 

Muito assustada a velhinha continuou o seu caminho até que chegou, por fim a casa da neta. Contou tudo o que lhe acontecera e a neta acalmou-a dizendo que não haveria problema nenhum.

O casamento foi muito bonito e a velhinha estava muito feliz. Mas, quando se decidiu a voltar para a sua casa, começou a ficar com muito medo. A neta correu ao quintal, cortou a cabacinha maior e mais redondinha que lá tinha abriu-lhe uma pequena porta e a velhinha entrou nela.

A neta voltou a fechar a cabacinha. Então a viagem começou quando a cabacinha e a velhinha rebolavam estrada fora . A certa altura passaram ao pé do leão, que perguntou: 

- Oh cabacinha não viste para aí uma velhinha?

A velhinha de dentro da cabacinha respondeu:

-Não vi velhinha, nem velhão Corre corre cabacinha Corre corre cabação!!!

O leão fez cara de admirado! A cabacinha continuou rebolando pela estrada fora. Um pouco mais à frente estava o urso, esperando. Este resolveu perguntar:-Oh cabacinha não viste para aí uma velhinha? De dentro da cabacinha, a mesma voz respondeu:

-Não vi velhinha, nem velhão Corre corre cabacinha Corre corre cabação!!! A cabacinha continuou rebolando, rebolando, sempre a toda a pressa. 

O urso não percebeu nada do que via e ouvia… Mais perto de casa estava o lobo esfomeado. Ao ver a cabacinha perguntou-lhe:

-Oh cabacinha não viste para aí uma velhinha? De dentro da cabacinha a voz da velhinha fez-se ouvir:

-Não vi velhinha, nem velhão Corre corre cabacinha Corre corre cabação!!!

O lobo pulou de raiva. Finalmente a nossa velhinha chegou a casa. Não havia mais perigos. Pela estrada fora tinham ficado, enganados, os seus três inimigos. A cabacinha salvara-lhe a vida


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