A Escola, as crianças, os jovens e nós...mães e pais

Há uns anos atrás li um livro que abordava a importância de estarmos atentos aos sinais ou coincidências diárias a que estamos sujeitos e passei a cultivar um pouco esse espírito. Curioso que nos últimos tempos tenho-me preocupado com as elevadas exigências escolares dos meus filhos e em 3 dias vieram até mim sinais/coincidências que legitimaram a minha preocupação.

Um artigo de opinião sobre as crianças e o tempo para brincar, referenciando o modelo de educação filandês; a crónica preocupante de uma jovem estudante portuguesa do 9º ano (texto publicado nas fotos abaixo); a minha filha mais nova que no reenício das aulas após as miniférias escolares de Carnaval me disse: "Oh mãe, começa hoje a Escola? Vamos trabalhar muito..."; as queixas e os rostos de cansaço dos meus filhos mais velhos e uma adolescente que se cruzou comigo no elevador e que comentou: "Já venho cansada e ainda hoje começou...". Pergunto: o que se está a passar nas Escolas portuguesas? O que estão a fazer às nossas crianças e jovens? Que Programas curriculares são estes? Quem são as mentes responsáveis pela elaboração desses Programas? Têm a noção da realidade, das capacidades equivalentes a cada nível etário, da aprendizagem faseada, equilibrada e ajustada a cada grau de escolaridade? Do que é essencial ensinar e aprender para efeitos de crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional? Não! Não podem ter quando verifico que crianças do 2º ano de escolaridade e em diante, são confrontadas com matérias de grau de dificuldade superior ao da faixa etária, matérias essas que antes eram lecionadas em anos de escolaridade mais avançados.

Por um dia gostava de confrontar os responsáveis e de os fazer ler os manuais escolares e os cadernos de atividades. As nossas crianças e jovens estão sob stress intenso, assimilando kilos de conteúdos que pouco vão contribuir para a sua futura atividade profissional e pior, estão sob risco de se desmotivarem da aprendizagem e da Escola quando começarem a não conseguir atingir os resultados esperados. Deverá o Sistema de Ensino Português ser assim tão diferente do de outros países? Por que razão? Estamos a fazer uma seleção natural em que apenas os alunos com capacidades acima da média (os designados sobredotados), conseguirão o sucesso escolar?

Na Finlândia, brincar faz parte do método de ensino. Os finlandeses são conhecidos pelo seu sistema de educação, um dos melhores do mundo. Curiosamente, este é o país da Europa onde os alunos passam menos tempo nas aulas, aprendem a ler mais tarde e só têm exames no final do 12.º ano. Esta foi a conclusão de uma investigação publicada no jornal Atlantic e realizada por Tim Walker, um professor norte- americano que dá aulas em Helsínquia.

A Finlândia tem, ainda, uma das maiores taxas de alfabetização do mundo, sendo que 94 por cento da sua população sabe ler, escrever e frequenta ou frequentou a escola.  Na Finlândia, contrariamente ao que acontece na maioria dos outros países europeus, incluindo Portugal, as crianças só aprendem a ler quando entram na escola aos sete anos. Até lá, os pequenos são estimulados, sobretudo, a brincar e, mesmo no ensino primário, a brincadeira continua. As crianças são estimuladas para a instrução através de atividades lúdicas, de forma a ganharem interesse pela escola,que, também pode ser divertida. E, muito importante, sem terem medo de falhar. Os alunos finlandeses passam 703 horas por ano na escola, enquanto os portugueses ficam 827 horas.  O objetivo não é que os professores debitem a matéria, mas sim que os estudantes discutam as temáticas abordadas pelos primeiros. Os alunos gostam dessa independência e, no ensino secundário, além de serem eles a escolher as matérias que mais lhes interessam, podem concluí-lo em três anos. A confiança é um dos pilares do sistema educativo do país.

Leiam agora a crónica chocante de uma jovem portuguesa no 9º ano de escolaridade (reproduzida nas fotos abaixo)

Pergunto: podemos e devemos ficar indiferentes? Caras mães e pais, estejam atentos aos vossos filhos pois eles terão de ter em casa um grande suporte familiar, acompanhem o percurso escolar e dialoguem com eles acerca da escola, não podemos, não devemos "desligar" pois algo de muito grave se está a passar nas escolas. Algo também deverá ser feito através das Associações de Pais, não podemos consentir que esta situação prossiga. Fica a reflexão pois o que queremos é a imagem abaixo...

 


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