Terra do Nunca ou Terra do Sempre?

13-06-2019 22:57

Numa entrevista recente sobre o meu conto infanto-juvenil, O Prado da Felicidade, perguntaram-me sobre a razão da expressão "Terra do Sempre", em detrimento da tão conhecida "Terra do Nunca", ao que respondi que sempre existe uma oportunidade diária para refletirmos, melhorarmos atitudes, comportamentos, para "crescermos" um pouco mais, para sairmos da zona de conforto, para "agarrarmos" a vida como uma grande oportunidade de melhoria contínua. Como sabem, a famosa "Terra do Nunca" é uma metáfora que nos remete para o comportamento eternamente infantil,  para a imortalidade e para o escapismo ou evasão, a distração mental de um mundo melhor, sem obrigações ou realidades desagradáveis, recorrendo a devaneios e imaginações. Ora, não se trata aqui de ignorar ou de rejeitar a nossa "crianças interior", muito longe disso, trata-se de fazê-la tomar consciência da sua responsabilidade enquanto futura cidadã, enquanto membro de uma comunidade, enquanto "construtora" de um mundo que tem de ser bem melhor, sendo ética, autêntica e criativa. Tal como referiu Bernard Shaw: "O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” O mundo precisa de crianças crescidas e menos crescidas, mas empenhadas em dar o melhor delas e este melhor constrói-se em cada dia. Todas as pessoas têm obrigações, um papel social e é normal o confronto com obstáculos, bem como desenvolver a resiliência necessária para os ultrapassar. No fundo, o importante é iluminar alguma coisa, num mundo cada vez mais obscuro. O mundo precisa do melhor de nós para que consiga tornar-se nO Prado da Felicidade.

“O mundo depois de nós tem que ser melhor do que o nosso, porque caminhámos sobre ele. Se não pudermos ser um sol esplendoroso, contentemo-nos em ser um simples pirilampo. O importante é iluminar alguma coisa.” Roque Schneiden


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