Parentalidade Positiva...urge renovar o presente do passado

22-09-2018 15:35

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A Parentalidade Positiva foi o último tema a ser debatido nas Jornadas de Educação realizadas na Lourinhã na semana passada e saibamos que não se trata de um tema que está na moda e muito menos um tema novo. Remonta aos anos 50 do século XX. É fácil entender muitas das atitudes e comportamentos dos adultos de hoje, se pensarmos no estilo autoritário da educação que tiveram. Tendo como base de referência o estilo autoritário, replicam junto dos filhos, esse mesmo estilo de parentalidade, muitas vezes punitiva. Contudo, encontramos outros pais e mães que recusam adotar com os filhos e filhas o mesmo estilo de educação que tiveram e que optam por utilizar um estilo exatamente oposto àquele que vivenciaram: o estilo permissivo, em que não existem regras, nem limites, tornando as crianças em pequenos ditadores e ditadoras.

Pois bem, a Parentalidade Positiva é pois um ponto de equilíbrio entre ambos os estilos anteriores (autoritário e permissivo) e assume-se como um tipo de autoridade em que se respeita a criança, baseando-se no respeito mútuo, num vínculo de qualidade na relação que se tem com a criança,  na proatividade, em que se antecipam problemas e conflitos inerentes a cada fase do crescimento, numa liderança empática, em que são definidos limites, regras estruturantes para o desenvolvimento da criança.

No âmbito desta temática da Parentalidade Positiva, destaco a intervenção do reconhecido pediatra Mário Cordeiro, o qual referiu a importância de se valorizar o longo caminho e evolução que Portugal deu no âmbito da escolarização da população, recordando que há 50 anos, só 10% dos/das jovens passavam do atual 6º ano de escolaridade e que apenas 5% dos/das jovens seguiam para a Faculdade, ficando os restantes a trabalhar nos campos e nas fábricas. Neste sentido, hoje estamos no presente desse passado.

Que cidadãos/cidadãs se pretende hoje  construir? Acima de tudo que tenham o direito de seguir um percurso que os façam felizes e esse caminho de autonomia começa bem cedo.

Outra questão abordada é que refletimos muito pouco. Deviamos ter a latência, um tempo de espera de uma pilha, de um computador para que se refletisse. O desenvolvimento sempre se fez a partir de uma insatisfação e de uma reflexão e portanto, há que pensar sobre que filhos queremos ter e que pais queremos ser. A voracidade da sociedade de hoje impede-nos de o fazer, a palavra 'respeito' caiu em desuso, o desrespeito entre pessoas é quotidiano e verifica-se até em coisas pequenas. Assim, a nossa casa deveria ser um refúgio, um castelo que nos protegesse da adrenalina diária e desenfreada vinda do exterior. Mas...isto não se passa assim. Acarretamos então essa raiva, esse stress, essa 'birra' enquanto educadores e educadoras e à primeira explodimos com o elo mais fraco, que são as crianças. E aqui está a questão. Deveríamos ser o exemplo, o modelo para os nossos filhos e filhas. Saibamos que o pensamento social é formado nos primeiros 5 anos de idade e que a vida é uma 'paleta' de várias emoções, pelo que o autocontrolo emocional, o saber  estar e o saber escutar são essenciais. Temos também de saber ensinar sentimentos, mostrar sentimentos, distinguir o bem e o mal, ensinar a ética e refrear os sinais exteriores de riqueza (ter o que se precisa e não para mostrar o que se tem).

 Por último, em caso de alguma atitude/comportamento incorretos das crianças e jovens, referir que os amamos e que por isso mesmo temos de lhes dizer que a postura que tiveram não foi nem bonita, nem correta e repetir o mesmo as vezes que forem necessárias.

Foram reflexões cirúrgicas e pertinentes. Os meus parabéns à Câmara Municipal da Lourinhã pela organização de um evento tão relevante, aos oradores e oradoras pelas ricas intervenções e ao público que, desta vez, se fez notar.

A EDUCAÇÃO envolve toda a comunidade.

 

 


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