Para educar uma criança, é preciso uma aldeia...

18-09-2018 15:31

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Eis mais um arranque de Ano Letivo. Eis-me aqui a destacar algumas das intervenções que me pareceram relevantes das Jornadas da Educação, realizadas pela primeira vez na Lourinhã. durante os dias 11, 12 e 13 de Setembro/18.

Referencio em primeiro lugar a intervenção "Uma Nova Perspetiva da Escola" de João Couvaneiro e de Pedro Rosário, onde destaco que a Escola deve ser educadora, sempre que não exista competência parental, sempre que exista baixo envolvimento em casa e baixa formação cultural. Concordo. Os professores e professoras não se podem demitir da sua vocação e da sua missão de educadores/educadoras, porquanto existam desvios graves junto dos alunos, gerados pela falta de apoio e de suporte familiar.

Por outro lado, o Diploma 55 que agora rege a Autonomia e Flexibilidade Curricular Escolar, deverá ser um instrumento impulsionador de verdadeira autonomia pedagógica das Escolas e quem não optar por este caminho, terá resultados mais baixos nos exames nacionais, dado que os exames do IAVE obedecerão a este novo modelo de autonomia pedagógica. Assim, todos os membros da comunidade educativa ( autarcas, professores, assistentes operacionais, encarregados de educação) deverão submeter-se a um profundo processo de transformação. O que era, não será mais. Métodos e técnicas pedagógicas deverão ser alvo de reflexão e deverão sofrer uma profunda reestruturação no sentido de se simplificar programas e de os aproximar dos alunos e alunas, gerando o gosto pela aprendizagem, pela aquisição de conhecimentos. Deverão os professores e professoras começar por refletir sobre o seguinte:

Quantas perguntas coloco durante as aulas?

Que perguntas devo fazer sobre a matéria?

Qual o feedback que recebo através dos TPC elaborados?

Qual é o estímulo que dou aos alunos e alunas para a reflexão sobre a matéria?

Primeiro refletir para depois se mudar, se inovar. Os alunos e alunas devem ser mais ativos no processo de aprendizagem pois o querer não tem aderido ao dever. Por exemplo, é fundamental começar por levar os alunos e alunas a refletirem sobre o Ano Letivo anterior e a sugerirem o que fazer de diferente no corrente Ano Letivo, para que a aprendizagem seja prazeirosa e eficaz. Quem, melhor do que eles/elas, para nos darem pistas valiosas?

"Do ponto de vista educativo, não temos pontos finais, temos vírgulas". "Para educar uma criança, é preciso uma aldeia". A educação é um trabalho de toda a comunidade. Saliente-se que a taxa de analfabetismo portuguesa decresceu imenso desde 1900 até 2011, com maiores resultados a partir da década de 60 do séc. XX mas que, por exemplo, em 1970, 1 em cada 4 pessoas não sabia ler nem escrever. Portugal partiu assim de um patamar muito diferente em relação a outros países. E hoje, 61% dos alunos que concluem o secundário fazem-no em 5 anos e não em 3, como seria suposto, o que aponta para uma taxa de repetência muito elevada, sendo que 36% dos/das jovens não concluem o secundário.

Existe um sentido de urgência na Educação. Vamos arregaçar as mangas.

 

 


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