A função das crises existenciais...

20-09-2017 14:52

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Pela nossa resistência à mudança, só nos atrevemos a questionar a nossa forma de compreender a vida quando chegamos a uma saturação de mal-estar. A crise existencial é um processo psicológico que remove os alicerces sobre os quais assentam as nossas crenças e os nossos valores, possibilitando a evolução do nosso nível de consciência. A função biológica do sofrimento é fazer-nos sentir que o nosso sistema de crenças caducou, é ineficiente e que é um obstáculo à nossa capacidade de viver a vida em plenitude. É por isso que a adversidade nos liga à necessidade de mudança e evolução, à humildade e coragem para irmos além das limitações com que a sociedade nos condiciona, para seguirmos o nosso próprio ritmo de vida. 

Assim, as crises existenciais são a melhor oportunidade com que a vida nos brinda para deixarmos de nos enganar a nós mesmos/as e sairmos da zona de conforto em que passámos anos instalados/as. Estas crises não estão relacionadas com a idade, cultura ou estatuto social, estão latentes em qualquer pessoa que não se sinta verdadeiramente feliz ou satisfeita com a sua existência. São uma oportunidade maravilhosa para nos atrevermos a crescer, a evoluir, para nos responsabilizarmos pela nossa própria vida, pelas nossas decisões e resultados. Chama-se a isto maturidade, que não tem a ver com a idade física mas sim com a idade psicológica.

A verdadeira experiência nasce da aprendizagem e transformação e não dos anos vividos. O medo de olhar para dentro, a busca constante de evasão, são atitudes inconscientes, ineficientes e insustentáveis pois ninguém pode fugir eternamente de si mesmo. Assim, quanto mais nos desenvolvermos por dentro, mais sábia e objetiva será a nossa forma de estar,  emergindo lentamente um bem-estar que já está dentro de nós mas com o qual fomos perdendo o contacto com a acumulação de tantas experiências de dor e sofrimento.

A mudança do nosso paradigma ou o despertar da consciência permite-nos viver com uma nova compreensão, recuperando o contacto com a nossa essência humana, com as coisas que verdadeiramente importam.

Quando nos responsabilizamos pelo que vivenciamos, recuperamos o entusiasmo de criar a nossa vida, instante a instante e passamos a desfrutar da vida com o coração.

Deixem-se inspirar, deixem-se transformar.

 


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