Vista Alegre...porcelana e cristal de luxo aliados a Hotel de 5 estrelas

 

Integrado num projecto de recuperação de todo o espaço fabril da Vista Alegre, que inclui o Palácio, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França (Monumento Nacional), o Bairro Operário, o Teatro e o Museu, "nasceu" agora o Hotel Montebelo Vista Alegre Ílhavo de 5 estrelas.

O hotel ocupa o edifício do Palácio da Vista Alegre, que começou a ser construído no século XVIII, dispondo aí de dez quartos e cinco suites, tendo sido acrescentada uma ala nova ao palácio — com mais 73 quartos e uma suite.

O Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel tem também restaurante, salas de reuniões e um spa. Lá fora, há duas piscinas (uma para crianças e outra para adultos), um bar com esplanada e uma área para os miúdos. Junto à ria, há um espaço para a realização de cocktails e uma sala multiusos para 200 pessoas. Tem ainda um teatro, com 150 lugares, um museu, que conta a história de Portugal através das peças Vista Alegre e ainda uma loja, onde os hóspedes, e não só, podem comprar peças da marca.

O hotel tem também acesso exclusivo à Ria para desportos aquáticos ou passeios de barco e vai organizar workshops e cursos de pintura e cerâmica, bem como circuitos de cerâmica e de vidro.

Fundada em 1824, a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre foi a primeira unidade industrial dedicada à produção da porcelana em Portugal e para tal foi determinante o espírito de persistência do seu fundador, José Ferreira Pinto Basto, figura de destaque na sociedade portuguesa do século XIX, proprietário agrícola e comerciante audaz.

Adquiriu, em 1812, a Quinta da Ermida, à beira da Ria de Aveiro e em 1816 comprou, em hasta pública, a Capela da Vista Alegre e terrenos envolventes, tendo aí instalado a Fábrica da Vista Alegre, através de autorização dada pelo rei D. João VI. Cinco anos,a Vista Alegre recebeu o título de Real Fábrica, pela sua arte e sucesso industrial.

Em 1851, a Vista Alegre participou na Exposição Universal organizada no Crystal Palace, em Londres, e em 1867 recebeu reconhecimento internacional na exposição Universal de Paris. Nos anos que se seguiram verificou-se um período de maior desenvolvimento industrial. Contudo, as dificuldades sentidas na transição de século marcaram o início de um período de decadência na empresa. A crise social e política que atravessava o país, agravada por uma deficiente gestão comercial e desorientação artística geraram dificuldades que se prolongaram até inícios do século XX.

Em 1924, com a nomeação de João Theodoro Ferreira Pinto Basto como Administrador-Delegado, iniciou-se um período de ressurgimento. Para além do crescimento e renovação na área industrial, também a nível criativo se verificou uma forte revitalização. Estilos modernistas como a Art Deco ou o Funcionalismo revelaram a capacidade de adaptação da empresa às mudanças sociais e estéticas do início de século e permitiu à Fábrica ocupar um lugar de primazia entre as grandes manufaturas europeias. Foi instaurada a tradição de peças únicas, como o serviço produzido para Sua Majestade Isabel II, Rainha de Inglaterra.

Em 1964 foi inaugurado o Museu da Vista Alegre, expondo ao público peças representativas do longo e rico caminho percorrido.

Em 1985 foi inaugurado o Centro de Arte e Desenvolvimento da Empresa, com o objetivo de fomentar a criação de novos modelos e decorações, bem como promover formação nas áreas da pintura e escultura.

Realizaram-se, nos finais da década de 80, importantes exposições internacionais em locais como o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque ou o Pallazo Reale em Milão, contribuições decisivas para a divulgação e internacionalização da marca Vista Alegre.

Em 2001 dá-se a fusão do Grupo Vista Alegre com o Grupo Atlantis, formando o maior grupo nacional de tableware e o sexto maior do mundo nesse setor. O Grupo Vista Alegre Atlantis cruza o vidro e o cristal, com a história da empresa.

As primeiras peças de cristal Atlantis nasceram na vila de Alcobaça em 1972, na fábrica então denominada Crisal – Cristais de Alcobaça, que, prosseguindo a velha arte portuguesa do trabalho no vidro, já se distinguia na produção de um dos melhores cristais de chumbo de fabrico manual em todo o mundo.

A qualidade dos cristais Atlantis alterou profundamente a perceção dos consumidores, que começaram progressivamente a valorizar o cristal nacional. As peças produzidas em Alcobaça passaram a merecer a confiança e a preferência dos portugueses e do mercado internacional, representando a exportação, em 1974, entre 50% e 75% da faturação, com especial ênfase para o mercado norte-americano.

No século XXI, marcado pela fusão com o Grupo Vista Alegre em 2001, a Atlantis continua a estar presente nos principais mercados internacionais, reconhecida unanimemente como fabricante de um dos mais puros cristais do mundo, fundindo saberes ancestrais com o melhor design contemporâneo.

E agora, em 2015, eis que surge o fantástico Hotel Vista Alegre que potencia o património da Vista Alegre e a relevância social, tecnológica e artística da indústria cerâmica. O Montebelo Vista Alegre afirma-se com uma identidade única e como um dos hotéis mais completos e originais a nível nacional.

Mais um motivo de orgulho nacional.Parabéns!

 


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