Rendas de Bilros...jóias de Portugal

 

Lembro-me de em criança ficar maravilhada a olhar as rendilheiras de Peniche. Como eu admirava e gostava de as ver  cruzar a grande velocidade tantos pauzinhos de madeira. Eu pensava: "Como é que elas conseguem?". E como eram lindas aquelas rendas. A minha avó materna também fazia mas, com pena minha, já não acompanhei esse período. Sempre me fascinou toda aquela agilidade de dedos e complexidade de fios, daí me ter suscitado interesse em saber das suas origens. 

Pois bem, parece que não existe conhecimento sobre a sua origem exata. Consta que a primeira vez que se falou da renda de bilros no nosso país foi no reinado de D. Sebastião, em 1560. Contudo, no reinado de D. João V elas ficaram interditas pois existia a obrigação de comprar as rendas flamengas, o que desagradou às rendeiras do Norte de Portugal, tendo as mesmas reclamado e obtido permissão para o uso das rendas nacionais em lenços, lençóis, toalhas e outras peças de casa, continuando proibido o seu uso pessoal. As rendas nacionais foram libertadas destas limitações em 1751, no reinado de D. José, passando a poder ser usadas na roupa branca de uso pessoal, toalhas, lençóis e outras alfaias da casa.

Segundo o ditado "ONDE HÁ REDES HÁ RENDAS" e Peniche não foi exceção, como não foram quase todas as povoações do litoral com atividade piscatória, sendo que as zonas de maior relevo na produção das rendas de bilros foram Vila do Conde e Peniche. Existem registos que comprovam que as rendas de Peniche já se faziam em meados do século XVIII. Consta que no século XIX se começaram a usar linhas mais finas e desenhos mais elaborados, o que resultou numa melhoria da qualidade, fazendo com que as rendas fossem premiadas em eventos internacionais, nos anos de 1851 (Parias e Londres), 1857 e 1861 (Porto), 1872 (Viena de Áustria) e 1878 (Paris). 

Em 2012, uma magnífica parceria entre a Câmara Municipal de Peniche e a Sociedade Ricardo & Ricardos, Joalheiros, uniu joalheiros e rendilheiras num labor único, maravilhoso e exclusivo. Criaram a primeira coleção, Lusitana, a nova tradição da filigrana - Jóias, inspiradas no design tradicional português com Renda de Bilros de Peniche (fotos em baixo).

Em Julho deste ano, foi executada a maior peça portuguesa de renda de bilros do mundo, por 120 rendilheiras de Vila do Conde, candidata ao Guiness. A iniciativa teve por madrinha, Joana Vasconcelos e a peça foi içada no dia 2 de agosto (Dia da Rendilheira), na Nau Quinhentista da cidade (ver foto em rodapé).

Em Setembro deste ano, a Câmara Municipal de Peniche participou na Expo Milão e dessa participação resultou a promessa de que iria apresentar uma candidatura, à UNESCO, para que a Renda de Bilros de Peniche seja classificada como Património Imaterial da Humanidade.

Uma curiosidade é que esta renda também existe no Brasil e em quase todos os estados brasileiros, com maior incidência também nas regiões litorais, mas aí o Bilro é chamado de Birro pelas rendeiras tradicionais.

Hora de aproveitarem o fim de semana para abrirem os vossos baús de recordações...quem sabe, não encontram alguma maravilhosa relíquia de rendas de bilros? Quem sabe...

 


Contactos

Pieces of Moments