O Fado nasceu um dia...e viveu para sempre

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O Fado nasceu em dia incerto, em Lisboa, mas marcou para sempre a alma portuguesa. Faz parte da nossa identidade. Fado, que em latim significa destino, era, a partir de 1840, cantado pelos nossos marinheiros nas proas dos navios. Assim, o primeiro fado a ser conhecido foi o Fado do Marinheiro, dando mais tarde origem aos restantes géneros de Fado, como o Fado Corrido e ao Fado da Cotovia. E assim surgiram também os fadistas com os seus trajes característicos. 

Na primeira metade do século XX, o fado foi adquirindo grande riqueza melódica e complexidade rítmica, tornando-se mais literário e mais artístico. Os versos populares são substituídos por versos elaborados e nas décadas de 30 e 40, o cinema, o teatro e a rádio vão projectar esta canção para o grande público. O fadista nasce como artista. Esta foi a época de ouro do fado onde os tocadores, cantadores saem das vielas e recantos escondidos para brilharem nos palcos do teatro, nas luzes do cinema, para serem ouvidos na rádio ou em discos. Surgem também as Casas de Fado (Alfama, Mouraria, Castelo, Bairro Alto e Madragoa).

Em meados do século XX o Fado conquistou o mundo e passou a ser famoso.

As noites, com o seu mistério, foram sempre as melhores anfitriãs do fado e os fadistas vestidos de negro, acompanhados da guitarra portuguesa, expressavam sentimentos profundos da alma portuguesa, fazendo "chorar" as guitarras. O Fado canta a saudade, a esperança, o destino, o arrependimento, o sofrimento, os amores, a cidade, a noite, a sociedade. Para se ouvir Fado, tem de se ter uma "alma que sabe escutar".

A primeira cantadeira de Fado foi Maria Severa que cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria mas foi Ercília Costa a primeira fadista a levar o Fado além-fronteiras. O Fado clássico teve como importantes fadistas, Carlos Ramos, Alfredo Marceneiro, Maria Amélia Proença, Berta Cardoso, Maria Teresa de Noronha, Hermínia Silva, Fernando Farinha, Fernando Maurício, entre outros.

O Fado moderno iniciou-se e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues, a qual cantava fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Ary dos Santos, entre outros, tendo dado o mote a outros fadistas como Teresa Tarouca, Carlos do Carmo, Maria da Fé. Também João Braga contribuiu para a história da renovação do fado, pela qualidade dos poemas que canta (de autores já citados e de Fernando Pessoa, António Botto, Affonso Lopes Vieira, Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga ou Manuel Alegre).

Atualmente, muitos jovens fadistas, tais como Dulce Pontes, Ana Moura, Cuca Roseta, Carminho, Mariza, Camané e tantos outros, juntaram o seu nome aos dos consagrados e estão a dar uma excelente continuidade à projeção internacional do Fado.

Mas, há a referenciar ainda o Fado de Coimbra, muito ligado às tradições académicas da Universidade de Coimbra, e que tem as suas origens nos estudantes de todo o país que levavam as suas guitarras para Coimbra e que é exclusivamente cantado por homens, trajados também de negro e com uma capa de fazenda de lã igualmente preta. Canta-se à noite, quase às escuras, em praças ou ruas da cidade. O local mais típico é na praça junto ao Mosteiro da Sé Velha. As serenatas são típicas, cantando-se junto à janela da casa de quem se pretende conquistar.

Enfim, tudo isto é Fado, tudo isto é NOSSO.

Agora, silêncio...que se vai cantar o Fado www.youtube.com/watch?v=rB1MAAB48OQ&list=RDrB1MAAB48OQ#t=109

 
Fado do marinheiro
 
Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.
Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia
Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.
Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras , terras de Lisboa.
 

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