O Caminho de Jacinto...pela Rota dos Escritores

Fantástico. Desconhecia mas existe uma Rota dos Escritores em Portugal, a qual envolve a visita a quatro casas de escritores portugueses: a de Miguel Torga, em Coimbra, a de Eça de Queiroz, em Tormes, a de Teixeira de Pascoaes, em Amarante e a de Camilo Castelo Branco, em Seide. Caminhos de sonho para quem ama ler, como eu.
 
Mas falemos por agora de Eça de Queiroz e do Caminho de Jacinto (no lindíssimo Douro). Eça de Queiroz desenvolveu a sua vida literária entre meados dos anos 1860 e 1900, quando, a 16 de Agosto, morreu em Paris. Nesse lapso temporal, Eça marcou a cena literária portuguesa com uma produção de alta qualidade, parte dela deixada inédita à data da sua morte.
 
Tormes, é o cenário principal do roteiro sentimental do queirozianismo, de ser simultaneamente palco de grande parte de uma obra prima literária – A Cidade e as Serras e é também a casa-museu Eça de Queiroz, pertença de uma das suas herdeiras. Pode aí confrontar-se com objectos que pertenceram ao escritor: a mesa alta onde escrevia de pé; a cabaia que o seu amigo Bernardo Pindela lhe trouxe do Oriente; as pinturas e gravuras que decoravam a sua casa de Neuilly, em Paris; o seu mobiliário; objectos de uso pessoal e também o que resta da sua biblioteca: cerca de 400 livros, alguns encadernados com as iniciais do escritor.
 
O Caminho de Jacinto inicia em Aregos, freguesia de Santa Cruz do Douro e termina em Tormes, passando por locais referenciados por Eça no seu livro A Cidade e as Serras e existe ainda a possibilidade de visitar o local onde Eça está sepultado (Igreja de Santa Cruz do Douro).
 
E a verdade é que toda esta região continua a exibir uma paisagem exuberante, profundamente humanizada. O percurso mais espraiado do Douro, os vales encaixados que a ele vão dar, a profusa e variada vegetação, o casario de traça tradicional, os caminhos e estradas sinuosos, tudo contribui para uma paisagem soberba! Os terraços cultivados, prova evidente - e abundante - da profunda relação Homem-Natureza, contribuíram para valorizar ainda mais esta paisagem, dando frescura e cor ao longo de todo o ano.
 
 
"A sua quinta e casa senhorial de
Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco fartas
legoas, todo o torrão lhe pagava fôro. E cerrados pinheiraes seus negrejavam desde
Arga até ao mar d'Ancora."
 
"Um ar fino e puro entrava na alma, 
e na alma espalhava alegria e força.
Um esparso tilintar de chocalhos de guizos morria pelas quebradas"
 
“Os vales fofos de verdura, os bosques quase sacros, os pomares cheirosos em flor,
 a frescura das águas cantantes, as ermidinhas branqueando nos altos, as rochas musgosas, o ar de uma doçura de paraíso,
 toda a majestade e toda a lindeza. Deixando resvalar o olhar observe os vales poderosamente cavados (...) os bandos de arvoredos, tão copados e redondos de um verde tão moço e sinta, por todo o lado, o esvoaçar leve dos pássaros.”   
 
A Cidade e as Serras, Eça de Queiroz
 
Então, façam-se escritores por um dia e...façam-se à estrada
 
 
 

 


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