Arraiolos...uma linda arte secular

 

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Em adolescente aprendi o ponto de arraiolos e ganhei gosto pela arte. As férias escolares durante 2 anos foram passadas a fazer 4 tapetes de arraiolos (um deles o famoso tapete de Sto. António-em cima).A parte preferida era bordar as flores e outras figuras e a que menos gostava era a do enchimento, pelo que era feito a todo o gás para finalizar a obra prima. Uns anos mais tarde, obtive o contacto de uma senhora de Arraiolos e encomendei uma carpete pois entretanto deixei de ter tempo para o hobby mas continuei a gostar muito deste tipo de tapeçarias.

Bonita e secular, ainda não há certezas quanto à origem da arte de arraiolos mas julga-se estar relacionada com a existência e a influência de tapeceiros mouros, entre os séc. VIII e XV e a sua fuga para o sul do país, em que se poderão ter fixado na vila alentejana de Arraiolos, por dispor de condições vantajosas para a execução de tapeçarias ( produção de lã dos rebanhos, cardação e fiação de lãs,  tingimento e o fabrico das telas), as quais eram uma mais valia para os mouros.

Existem documentos de D. João I que referem a existência de tapeceiros mouros em Portugal, protegidos pelo rei, na condição de eles formarem 2 aprendizes mas suas oficinas até eles dominarem a arte e trabalharem por conta própria. Foi assim que se multiplicaram as oficinas por toda a vila de Arraiolos. O registo mais antigo que fala dos tapetes, data de 1598. Um registo do século XVIII, refere a existência de uma fábrica em Arraiolos com 300 trabalhadores.

Os tapetes do século XVII continham motivos de influência oriental (mongol e persa) e tinham cores fortes mas com a crise da importação do pau brasil  (responsável pelas cores mais vivas) no século XVIII, as cores foram-se alterando e os tapetes assumiram tons diferentes, com cores mais esbatidas.

A partir do século XVIII, os motivos adotados foram também mudando e eram cada vez mais alusivos a temas regionais e nacionais, esbatendo-se cada vez mais o perfil oriental dos tapetes.

O que é certo é que é uma arte intemporal, tem passado de geração em geração, tem séculos de história e permanece viva até hoje.

Em 2001, foi inaugurado em Arraiolos, o monumento em homenagem à tapeceira (em baixo) e em Julho deste ano a Câmara Muncipal de Arraiolos preparou uma candidatura à UNESCO para que os tapetes de arraiolos passem a Patrimonio Cultural Imaterial da Humanidade. Essa candidatura deverá ser formalmente apresentada em 2017.

Que  se eternize esta arte.

 

 

 

 


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