Uma pátria a meia-haste...

19-06-2017 12:32

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Olhei o Castelo. A bandeira, a nossa linda bandeira, ondula hoje a meia-haste. Estamos de luto, estamos horrorizados pelo inferno que ontem desceu sobre Pedrógão. Impossível não soltarmos lágrimas, impossível não ficarmos arrepiados/as. De um momento para o outro somos arremetidos/as para a ideia de como tudo se apaga em minutos, em segundos. As esperanças, os planos, os momentos felizes, os filhos, as filhas, os pais, as mães. Não falo de casas, nem de carros, falo de vidas, de abraços, de afetos, de almas que se perdem numa cinza que chegou a muitos, muitos kms de distância. Na Lourinhã, as viaturas estavam cobertas de cinzas, cinzas de tristeza, de grande tristeza, de dor, de desolação.

Caímos em nós. O que fica? Fica o reconhecimento de como não devemos deixar de ser solidários/as com tanta dor, de que NADA é tão valioso como a vida, como as pessoas, de reconhecer em como não devemos deixar para depois, todos os abraços, carinhos, presenças que tivermos de dar.

Sem qualquer motivação para qualquer outro tipo tipo de post, foi este que me ocorreu e ocorreu-me por me ter lembrado de que o que se perdeu foi AMOR. AMOR que deixou de existir nas pessoas que já não estão, vidas de amor que se perderam. Foi assim que peguei no livro AMOR de Luís Osório e que li o seu prefácio. De lá, retirei o excerto que exemplifica bem a fragilidade que é a vida e que será a minha homenagem às vítimas, às ausentes, às que a partir de hoje, apenas sobreviverão e aos bombeiros que lutam e que enfrentam o medo a cada segundo, não sabendo se regressarão a casa e à família.

"Em AMOR, há também desamor. Há fantasmas, muitos. Há conversas interrompidas, pequenos milagres, gritos de socorro. Há desespero. Morte. Deus. Há muitas perguntas. A maioria nas tantas respostas que procuro. Há o que somos para os outros. E o que alimentamos em nós próprios. Uma viagem interior e outra exterior. Um caminho que fazemos com os outros e para os outros. E outro que nos atrevemos a fazer sem bússola ou coordenadas, o poço interior em que mergulhamos. Há filhos. A fragilidade em permanência. A felicidade em estado bruto. AMOR não tenta matar as sombras, assume-as e vive com elas." AMOR - Luís Osório


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