Por Pedrógão, por Góis, por Portugal...

22-06-2017 12:07

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Nos últimos anos tem vindo a crescer a minha descrença política devido à forma como se faz política neste país. Cansa. É-me contra natura. Tal como acontece na advocacia, em que tanto se tem de defender um inocente como um culpado, detesto falta de honestidade e de congruência Não tenho paciência para a caça ao voto, para todas as ações que se desenvolvem no sentido de serem visíveis e de poderem vir a dar votos ( o Dia da Árvore, em que se plantam árvores mas em que se esquece o mato, o Dia da Criança, em que se montam insufláveis e se assegura um péssimo serviço de refeições escolares, o Dia disto, o Dia daquilo). São as comemorações, são as fotos de fachada, são as inaugurações, são as visitas desprovidas de conteúdo e por aí fora. Tudo isto, apenas não seria descabido, se fosse acompanhado de Programas concertados e focalizados na melhoria visível do que é prioritário. Pergunto se é este o Serviço Público que queremos. O que adora deslumbrar e esquece os problemas de fundo das aldeias, das vilas, das, cidades, das regiões de Portugal e das pessoas. O que não vai ao terreno ver as "chatices" e as resolve. O que não percorre o terreno e corrige o que está mal. Aquelas "chatices" que dão trabalho, que não são tão visíveis e que provávelmente não dão votos. Pois...

Falo de todo o aparelho político, mas particularmente das unidades descentralizadas que supostamente deviam conhecer bem o terreno que lhes é próximo. Falo das Juntas de Freguesia e das Autarquias que esquecem sistemáticamente os problemas "por debaixo do pano", aquelas obscuridades chatas, as ações isoladas que não dão votos. Uma chatice, uma perda de tempo. Bom mesmo são os eventos em que aparece meio mundo e em que entre cumprimentos, se vão esboçando sorrisos ocos, conquistando terreno e as pessoas que se deixam deslumbrar.

Mas, voltando ao que me traz aqui para partilhar convosco, às recentes calamidades de Pedrógão, de Góis, não esquecendo todos os incêndios que em anos anteriores têm lavrado em Portugal, o sistema político tem.se evidenciado negligente, inconsistente, desordenado e inconsciente nesta matéria. Muito se tem dito e comentado na Comunicação Social sobre o que está mal e sobre o que se deverá mudar. Desde a pessoa mais comum à pessoa mais especialista na matéria, a solução é comum e sobejamente conhecida, não será necessário gastar-se mais rios de tinta sobre o assunto. A solução é ORDENAR de forma diferente o território, é REFLORESTAR da forma correta. Deixem POR FAVOR as leis e os inquéritos para depois, não se fechem em gabinetes a legislar, Olhem para a frente. VÃO JÁ para o terreno, façam um levantamento da realidade e sentem-se DEPOIS a discutir com todas as pessoas com poder e dever de intervenção, tomem decisões e a definam prazos (curtos, muito curtos) de intervenção. Deixem lá as eleições e mostrem TRABALHO. As eleições e o ganhar devem decorrer disso, do EMPENHAMENTO, da PREOCUPAÇÂO, do FOCO e da CONSISTÊNCIA de TRABALHO em benefício das pessoas e das regiões.

Sobre isto, tenho um exemplo, ou melhor um mau exemplo para vos dar. No início de Março/17, depois de outro vizinho ter denunciado uma situação gravosa a uma Autarquia, abordei o Presidente da Junta de Freguesia no sentido de lhe reportar a mesma situação: um muro prestes a ruir e a cair para a via pública, um terreno com mato até ao telhado de uma habitação abandonada, a proliferação de ratazanas e de cobras. Resposta: iam notificar os proprietários. No final de Maio/17, tinham notificado e o prazo para a intervenção terminava naquela semana. "E depois?" Perguntei. "A Junta interfere, se nada for feito?" Resposta: "Não, não podemos fazer nada porque é propriedade privada". ISTO é o Serviço Público que temos. Agora, pergunto: se acontecer alguma coisa de grave, um incêndio ou uma morte, de quem é a responsabilidade? E, se houver mortes, recuperam-se as pessoas? Não, mas virão a correr com ar consternado. Mais uma vez...sei como vou conseguir resolver. Aliás, como noutras duas situações anteriores, consegui resolver.

E nós? Vamos continuar a compactuar com este sistema e a continuar a votar felizes e contentes? Ou vamos dar viva voz ao que queremos que mude? A intervir? Também somos co-responsáveis pelo estado do país e temos o dever de nos manifestar e de obrigar o sistema a mudar. Existem sim, formas de o fazer. Ontem mesmo, decidi fazer chegar dois e-mails: um ao Presidente da República e outro ao Primeiro-Ministro. Fi-lo de consciência, é o mínimo que está ao meu alcance e que estando ao meu alcance, devo utilizá-lo, como cidadã ativa. O teor dos mails é de caráter construtivo, são reflexões construtivas, apelando à urgência de se ser objetivo, de se agir depressa, de se mobilizar, de se dialogar e de se simplificar. Não podemos continuar a "assobiar para o lado", apenas a lamentar e a permitir que a memória seja fraca. Agora, que tudo está consumado, tristemente consumado, que sejam tomadas medidas que definitivamente travem calamidades futuras.

Sobre tudo isto, lanço um desafio à população portuguesa: não continuem no silêncio, façam chegar também as vossas opiniões, as vossas críticas CONSTRUTIVAS ao topo do Sistema Político. Chega de passividade. Façam chegar a vossa voz, através dos seguintes contactos: belem@presidencia.pt e Portugal.gov.pt.

Digam o que TEM de SER MUDADO. Insistam. Participem. Por Pedrógão, por Góis, por Portugal, por todos/as nós. Alguma coisa vamos conseguir mudar. Portugal conta connosco. É o nosso país. É o nosso dever. Que das cinzas se erga um novo Portugal. Por respeito a quem perdeu a vida, por respeito a quem perdeu a vontade de viver.

SOMOS PORTUGAL.

 

belem@presidencia.pt

 


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