Por memória eterna em fonte pura...as lágrimas são água e o nome amores

23-01-2017 10:20

Cidade do conhecimento, cidade de encantamento. Coimbra é de facto uma cidade única, com um carisma especial, com uma riqueza cultural imensa que deslumbra, que seduz, hipnotiza os corações de quem passa por ela. Faz-nos querer lá voltar, sempre, e conhecer mais um pouco acerca dela. Sábado passado, felizmente mais um dia lindo de sol em Portugal, pus-me a caminho de lá. Desta vez, um dos propósitos passava pela visita à Quinta das Lágrimas, a qual ocupa uma área de 18,3 hectares em torno de um palácio do séc. XIX, requalificado como hotel de luxo. Nos seus jardins acumulam-se e perduram memórias desde o séc. XIV, tanto nos elementos construídos, como nas árvores  e na sua própria história.

Neles se encontram as chamadas Fonte dos Amores e Fonte das Lágrimas. A quinta e as duas citadas fontes são célebres por terem sido cenário dos amores do príncipe D. Pedro (futuro Pedro I de Portugal) e da fidalga D. Inês de Castro.

Lá rumei então depois de almoço, acompanhada pelo meu filho e de repente, ao passarmos a entrada, entrámos na mata frondosa e somos surpreendidos com imensos laços e fitas de cores atados às árvores. Curiosos, fomos ver de perto e entendemos que se tratavam de fitas com nomes de namorados a evocarem o seu amor. Fácil perceber que era mais uma tradição de Coimbra, em homenagem ao amor imortalizado de Pedro e Inês. Lindíssimo. 

Passámos depois pelo lindo Portal e janela neogóticos da "Fonte dos Amores", local dos encontros amorosos entre D. Pedro e D. Inês e surpreendemo-nos, mais uma vez, pelo que encontrámos: enormes árvores com raízes grandiosas mostravam a sua intemporalidade. Uma delas, continha afixada uma placa, referindo que tinha sido mandada plantar por Arthur Wellesley, visconde de Wellington, comandante das tropas luso-britânicas que defendiam o reino das forças francesas de Napoleão. Wellesley foi hóspede na quinta, a convite  do proprietário da mesma. e plantou, na ocasião, duas sequóias perto da "Fonte dos Amores".

De seguida, avançámos em direção à "Fonte das Lágrimas", assim denominada por Luís de Camões em "Os Lusíadas", referindo que a mesma nascera das lágrimas vertidas por Inês ao ser assassinada naquele local, a mando de Afonso IV de Portugal. O sangue de Inês terá ficado preso às rochas do leito, ainda rubras após seis séculos e meio...sob a água vemos as manchas avermelhadas e inúmeras moedas deitadas por quem lá passa.

 Depois, fomos subindo a mata por um caminho sinuoso, até ao local do miradouro e por entre as árvores, vislumbrou-se Coimbra, esplendorosa sob o sol brilhante da tarde.

Foi uma tarde bonita, com "sabor" a história, com "sabor" único a Coimbra.

Abaixo, deixo-vos um pequeno vídeo da Quinta das Lágrimas. Uma viagem ao séc. XIV.

www.youtube.com/embed/C5xu5gfvANs?rel=0&autoplay=1


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