Podence e Castelo Rodrigo...a autenticidade de Portugal

07-08-2017 10:33

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Decorreu ontem mais uma votação no âmbito das Maravilhas de Portugal - Aldeias, e eis que Podence e Castelo Rodrigo foram as vencedoras na categoria de Aldeias Autênticas, as quais vão passar à final que se realizará no Piódão a 03 de Setembro/17. 

Podence é uma antiga freguesia do concelho de Macedo de Cavaleiros, com 14,33 km² de área e 250 habitantes (2011). Pelo Carnaval, Podence é famosa devido aos seus Caretos, os quais representam imagens diabólicas e misteriosas que todos os anos, desde épocas remotas, saem à rua nas festividades carnavalescas. O careto é um personagem mascarado do carnaval, da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. É um homem que usa uma máscara com um nariz saliente feita de couro, latão ou madeira pintada com cores vivas de amarelo, vermelho ou preto. Interrompendo os longos silêncios de cada inverno, como que saindo secretos e imprevisíveis dos recantos de Podence, surgem silvando, com os seus frenéticos chocalhos bem cruzados nas franjas coloridas de grossas mantas.

Quanto a Castelo Rodrigo, é uma aldeia histórica que, no seu todo, é um autêntico espaço monumental que conserva importantes referências no plano medieval. Entre os monumentos que acrescentam valor ao património histórico são de destacar as velhas muralhas, as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, o Pelourinho quinhentista, a igreja matriz, a cisterna medieval e os vestígios que atestam a presença de uma importante comunidade de cristãos-novos. Durante mais de 600 anos, a povoação foi vila e sede de concelho. Em vários momentos da história nacional, os seus habitantes destacaram-se pela sua coragem e lealdade à coroa. 

O território de Riba-Côa foi ocupado desde tempos remotos, havendo vestígios paleolíticos, megalíticos, da cultura castreja, romanos e árabes. A preocupação com a reorganização e povoamento desta área na época da Reconquista é patente nas doações aos freires Salamantinos, fundadores da Ordem de S. Julião do Pereiro, e aos primeiros frades de Santa Maria de Aguiar, oriundos de Zamora, de que o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar, de fundação cisterciense do séc. XII, é importante testemunho. Conquistada aos Árabes no séc. XI e dependente do Reino de Leão, foi vila elevada a concelho por Afonso IX, integrando definitivamente o território português a 12 de Setembro de 1297, pelo Tratado de Alcanizes - assinado por D. Dinis, que confirmou o seu Foral em Trancoso e mandou repovoar e reconstruir o Castelo, ação repetida por D. Fernando I, que também lhe concedeu Carta de Feira, em 1373. Castelo Rodrigo está rodeado por uma cintura amuralhada inicialmente composta por 13 torreões (à semelhança de Ávila). Mantém a sua traça medieval, que irradia da alcáçova e acompanha a topografia. Pelas suas ruas encontram-se casas interessantes, umas manuelinas, outras construções árabes, como a casa nº 32, com inscrição e uma carranca, para além da cisterna, de 13 m de fundo, com uma porta em arco de ferradura e outra ogival. Estando na rota de peregrinos a Compostela, aqui se ergueu a Igreja de N. Sra. de Rocamador, fundada por uma confraria de frades hospitaleiros vindos de França no séc. XIII. Por ter tomado partido por Castela na crise de 1383-85, D. João I castigou Castelo Rodrigo, mandando que o seu brasão ficasse com as armas reais invertidas e a vila dependente de Pinhel. O pelourinho manuelino - de gaiola e grandes dimensões, atesta o poder municipal, regulamentado pelo foral novo de 1508, altura em que D. Manuel, o Rei Venturoso, mandou repovoar a vila e refazer o castelo. Sob domínio filipino instituiu-se o condado e marquesado de Castelo Rodrigo na pessoa de Cristóvão de Moura, que mandou edificar um Palácio. Após a Restauração este foi destruído pelo povo. No largo de S. João, o padrão assinala e comemora a restauração da independência nacional.

Historicamente, nenhuma povoação raiana exerceu por tão longo período um lugar tão relevante nas relações Luso-Castelhanas e na defesa do território português.

Mas as atenções já estão voltadas para a gala de 20 de agosto - a última das eliminatórias -, que vai ter como palco Pedrógão Grande. A gala que as 7 Maravilhas de Portugal decidiram relocalizar, estava inicialmente prevista para Porto Martins, na ilha Terceira, Açores, contudo, o presidente das 7 Maravilhas, Luís Segadães, apontou como inspiração para a realização da festa em Pedrógão Grande, o cartaz que a autarquia colocou na entrada do município de agradecimento aos portugueses.

Concordo plenamente. Bonita homenagem.


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