O preço da iliteracia emocional...

20-02-2017 11:21

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Quando um dia alguém lhe perguntou qual era a pior doença do mundo, Madre Teresa de Calcutá respondeu: "a solidão". Se o séc. XX foi o século da ansiedade, o séc. XXI é o século da melancolia, com os dados internacionais a revelarem a epidemia da depressão. 

Desde o início do séc. XX, cada geração sucessiva, a nível mundial, tem vivido com um risco superior ao dos pais, de sofrer ao longo da vida, de uma depressão profunda - não apenas uma tristeza mas uma apatia paralisante, um abatimento, uma autocomiseração e um desespero esmagadores. Estes episódios estão a surgir cada vez mais cedo e a depressão infantil, outrora praticamente desconhecida, emerge como uma característica constante da era moderna. 

Em cada geração, o início do primero episódio de depressão, tem tendência a ocorrer cada vez mais cedo. A erosão da família nuclear tem criado uma vulnerabilidade crescente. A duplicação das taxas de divórcio, a quebra de tempo que os pais e mães têm disponível para os filhos, o aumento da mobilidade, a indiferença crescente dos pais e mães em relação às necessidades dos filhos enquanto crescem, são lesões emocionais precoces que podem afetar o desenvolvimento neuronal e consequentemente  levar à depressão, várias décadas mais tarde.

Estamos na era do individualismo crescente, do esbatimento das crenças religiosas, da redução do apoio da comunidade e da família alargada, o que significa uma perda de recursos importantes e essenciais que ajudam na proteção contra desaires e derrotas (normais na vida). 

Assim, a partir do momento em que uma pessoa vê um fracasso como algo duradouro e o amplia de modo a afetar todos os aspetos da sua vida, qualquer derrota é transformada numa fonte perpétua de sofrimento e de desespero.

Isto para vos dizer em como é importante, vital até, tomar consciência de como é imprescindível a literacia emocional, a educação dos nossos afetos. Todos nós, temos de ter as competências sociais e emocionais para sobrevivermos às pressões de um mundo cada vez mais desordenado e caótico. E assim como nós, adultos, temos de as ter, também as devem ter as nossas crianças e jovens.

Finalizo, convidando-os a refletir sobre esta pequena história (real) que vos vou contar. Na semana passada, a minha pequenita trouxe para casa um inquérito da Escola, para que fosse respondido pelos pais e mães, sendo as opções de resposta as seguintes: Concordo; Concordo parcialmente; Discordo parcialmente e Discordo.  Até aqui nada de estranho, não fossem as questões surpreendentes. Ora vejam:

1 - Sou interessado com o desempenho do meu  filho na escola

2 - Conversamos sobre a escola todos os dias

3 - Tenho tempo para ajudar o meu filho com os trabalhos de casa

4 - Sou capaz de ajudar o meu filho com os seus trabalhos

5 - Vou às reuniões de Encarregado de Educação

6 - Converso com a professora regularmente

7 - Considero que estudar é importante

8 - Encorajo o meu filho a estudar

Ora, excetuando a questão 4, na medida em que nem sempre existem as capacidades para a resolução de exercícios (apesar da vontade), todas as outras questões sinalizam algo de muito grave. Não deveriam essas questões ser "um dado adquirido"? A escola tem de perguntar aos pais e mães se fazem os seus TPC, enquanto ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO dos filhos e filhas? Mas, o que é isto?! ISTO significa que os pais e as mães não acompanham a vida escolar dos filhos e das filhas, que estão ausentes de uma boa parte da vida deles e delas e de que a "fatura" virá mais tarde, sob a forma de insucesso escolar, abandono escolar, agressividade e marginalidade (desequilíbrios emocionais).

Estamos pois na era da iliteracia emocional, da desresponsabilização, da solidão, Ao contrário da Matemática, do Português e de todas as outras disciplinas escolares, não se dão notas na Ciência do Eu... a própria vida constituirá o "exame final".

Se existe solução? Se podemos reverter os efeitos? Sim, mas TODA a comunidade deverá QUERER ficar envolvida. É que... os projetos tendem a ficar na GAVETA.


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