Kikas, Lúmbias, Flauzinas e Tiririkas...

02-03-2017 10:33

O Corso Trapalhão de 2ª feira à noite em Torres Vedras foi, como sempre, dedicado ao glamour das matrafonas. Nada mais, nada menos do que 60, foi o número de matrafonas inscritas no desfile que serviu para eleger a Rainha das matrafonas de 2017. Ao longo de 1h30, 'elas' desfilaram pela passerelle, onde milhares de pessoas assistiram, aplaudiram e se divertiram com as suas performances arrojadas. Desde as mais tímidas e enroupadas às mais libertinas e despidas, todas elas fizeram furor. Tivemos matrafonas à Fada Sininho e até uma matrafona à Castelo Branco e à Lili Caneças (nos tempos áureos). Apesar de diferentes, 'todas' desfilaram com presunção e ar atrevido. A matrafona é verdadeiramente a alma do Carnaval Torreense. Lúmbias, Flauzinas ou Tiririkas, são nomes de grupos de matrafonas já sobejamente conhecidos de há muitos anos, que animam e divertem os Corsos com os seus carros de 1º andar que vão tocando com potência músicas carnavalescas e onde tudo acontece.

Terminado o desfile, surgiu o Carro dos Reis de Carnaval e a multidão integrou-se no Corso, dançando atrás dos Carros das Matrafonas ou do Tocandar que, por esta altura, iniciou o seu habitual percurso. Todavia, antes de começar o "bate pé", quis provar o famoso cup da Caravela - missão difícil pois a fila era enorme - e fiquei fã. O cup é uma mistura de vinho branco com ananás que, acompanhado de uma pedra de gelo, sabe a bebida tropical e é uma verdadeira delícia. Super refrescante. Saibam que a Caravela é uma casa fundada em 1957, sendo uma referência do comércio tradicional de Torres Vedras e comercializa:  Gelados; charcutaria da Beira Alta e do Alentejo; queijos e requeijão da Serra da Estrela, queijos de Serpa, Azeitão, Nisa; Vinhos do Porto correntes, vintages e colheitas desde 1900 de várias marcas; Vinhos Tintos e Brancos de diversas regiões; Vinhos Licorosos;  Frutas da época e frutos secos. Portanto, a partir deste ano, Carnaval que é Carnaval terá cup!

De seguida, rumei em direção ao Corso e lá integrei a multidão animada e feliz que vagarosamente ía dançando atrás do Tocandar. Não era possível distinguir passeios ou estrada, era uma massa compacta a "perder de vista" de foliões e de folionas que de braços no ar, íam correspondendo à energia dos músicos. Estes, animados como sempre, íam repetindo "Que bonito! Faz barulho aí Torres Vedras!". Absolutamente contagiante, este é um Carnaval único, igual apenas a ele mesmo. E assim andámos dançando atrás do Tocandar durante 2 horas. Depois, a noite continuou para milhares de resistentes até de manhã nos largos da cidade, com Dj´s e muita música. Afinal, há que aproveitar pois a vida são 2 dias e o Carnaval de Torres são 6.

 Durante 6 dias, a cidade foi "assaltada" por multidões vinda de todos os pontos cardeais que, em busca de “paródia”, “abarrotou” as praças e as ruas do centro e da zona histórica de Torres Vedras, até ao raiar do dia. Para além disso, as televisões foram fazendo os seus diretos e reportagens na zona do Corso e paralelamente, o “Carnaval mais português de Portugal” ia recebendo ilustres visitas. A primeira foi a do embaixador do Japão, Hiroshi AZUMA e a segunda, a da embaixadora da Índia, Nandini Singla, que assim conhecia a cidade onde se realizou o Conselho Régio de 1414, no qual se decidiu a conquista de Ceuta, acontecimento que marcou o início da Expansão Ultramarina Portuguesa.

 Ontem, 4.ª feira de Cinzas, decorreu o Enterro do Entrudo e os Reis foram julgados pelos muitos pecados cometidos no território que lhes foi confiado nos últimos dias.

Até para o ano! És e continuarás a ser o "mais Português de Portugal!" Arrastas verdadeiras multidões.

 

Contactos

Pieces of Moments