Coimbra...palco de um amor intemporal

30-09-2016 11:04

 

São 274,5 metros de ponte pedonal sobre o Rio Mondego, dedicados a uma das mais belas histórias de amor de sempre: a trágica paixão entre D. Pedro I e Inês de Castro, que nos continua a comover pela sua força e intemporalidade. 

Quando o príncipe D. Pedro tinha entre os dezanove e os vinte anos, o seu pai, D. Afonso IV, enviou mensageiros ao reino vizinho de Castela, pedindo a mão de Constança Manuel. O pedido foi aceite e, em 1340, organizaram-se grandes cortejos para a sua chegada a cavalo, rodeada de pagens, aias, parentes e criados. Nessa comitiva de boas-vindas, D. Pedro viu pela primeira vez D. Inês de Castro, uma das aias de Constança, por quem se apaixonou loucamente. Apesar disso, D.Pedro casou-se em Agosto, na Sé de Lisboa, com Constança Manuel, de quem teve mais tarde três filhos.

Mesmo assim, D. Pedro continuava a encontrar-se com Inês de Castro, iniciando-se um grande romance, tema de conversa dos membros da corte e do povo. Estas coscuvelhices chegaram aos ouvidos do rei e da rainha que, furiosos, fecharam Inês no Convento de Santa Clara, em Coimbra. D. Pedro não a podia visitar, mas continuava a contactar a sua amada rondando os muros do Convento e enviando cartas. Estas eram levadas e trazidas secretamente em barquinhos de madeira através de um riacho. 

Depois de sair do exílio, Inês foi circulando de castelo em castelo e mais tarde instalou-se definitivamente num pavilhão de caça, na actual Quinta das Lágrimas, em Coimbra, mandado construir pela avó de D. Pedro, a Rainha Santa Isabel. Lá teve quatro filhos Afonso de Portugal (assassinado em criança), Beatriz (Princesa de Portugal), João (Príncipe de Portugal) e Dinis (Infante de Portugal).

Em 1345, D. Constança morreu, deixando D. Pedro viúvo e livre para Inês, passando este a conviver mais com a sua amada, o que nada agradou ao rei. D. Pedro tinha um herdeiro ao trono (Fernando), filho de Constança e três filhos bastardos de Inês, começando a pensar que estes poderiam assassinar Fernando para subirem ao trono. O rei decidiu então matar D. Inês com 3 fidalgos, aproveitando a ausência de D. Pedro que tinha ido caçar. Encontraram Inês sozinha junto a uma fonte. Esta ao perceber o que sucedia, implorou para que não a matassem, que se lembrassem dos seus filhos, da tristeza de D. Pedro, chorou... As suas lágrimas e súplicas, apenas comoveram o Rei que se retirou, deixando os fidalgos sozinhos com Inês. Os três fidalgos não tiveram dó nem piedade, apunhalando Inês de Castro a sangue frio. 

Quando D. Pedro soube da terrível tragédia, cheio de dor e angústia, declarou guerra ao pai. Assaltou castelos, matou todos os que passavam à sua frente... Ao fim de alguns meses, o país não aguentava mais e, após negociações, assinou-se a paz. Porém, depois da morte de D. Afonso IV, em 1357, D. Pedro subiu ao trono e mandou procurar os assassinos de Inês. Diogo Lopes Pacheco conseguiu fugir para França, mas Pêro e Álvaro foram executados. Retiraram-lhes os corações (um pelo peito e outro pelas costas) e queimaram os seus corpos, enquanto D. Pedro I se banqueteava.

Dois anos mais tarde, D. Pedro I mandou desenterrar Inês de Castro e corou-a Rainha de Portugal. Mais tarde, mandou construir um túmulo para inês e outro para si, encontrando-se os dois no Mosteiro de Alcobaça, virados um para o outro.

Até breve Quinta das Lágrimas. Um dos recantos que falta visitar.

 

 


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