Aldeias remotas...no centro da beleza

31-07-2017 10:18

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Decorreu ontem mais uma votação no âmbito do Concurso 7 Maravilhas de Portugal - Aldeias. Desta vez, na categoria de Aldeias Remotas. Piódão (Arganil) e Castro Laboreiro (Melgaço) foram as grandes vencedoras. São agora mais duas finalistas apuradas para a final.

Imortalizada por Miguel Torga como “ovo embrionário”, o Piódão é um presépio em plena Serra do Açor. Atraídos pela frescura das nascentes, os pastores lusitanos formaram, na época medieval, um povoado a que deram o nome de Casas Piódam.

Já não há vestígios, mas existiu ali um Mosteiro de Cister, que faz o lugar remontar ao séc. XIII. Na paisagem salpicada de xisto e azul salta-nos à vista a Igreja Matriz, construída no séc. XVII, com torres cilíndricas rematadas por cones.

Ao nos deixarmos vaguear pelas ruelas encontramos cruzes nas portas das casas, marcas das crenças das gentes da aldeia, que com ramos de loureiro afastam maus-olhados e intempéries.

Relativamente à aldeia Castro Laboreiro, deve o seu nome ao núcleo fortificado e ao rio que lhe é vizinho. Antigo conselho medieval,  tem importantes contributos para a história do país e da Península Ibérica: o Planalto e o Castelo de Castro Laboreiro. Acresce a Igreja Matriz, o Pelourinho, datado do século XVI, igrejas medievais, os fornos comunitários, os espigueiros e os moinhos, testemunhos da cultura castreja. Uma das tradições que melhor definem a cultura castreja é o das inverneiras e das brandas, memória dos tempos em que as famílias se movimentavam em bloco em meados de dezembro, com o gado, para outras zonas da serra, onde o inverno seria mais ameno.  As inverneiras eram segundas aldeias, aldeias de inverno.

Terra das “viúvas dos vivos”, nome a que os seus habitantes davam às mulheres cujos maridos, filhos e netos emigravam em busca de condições de vida melhores. Durante a sua ausência, estas mulheres vestiam-se completamente de negro, dos pés à cabeça, e só quando os homens regressavam é que as suas vestes escuras eram retiradas.

Dedicados ao pastoreio e ao gado, têm ainda na raça de cão Castro Laboreiro mais uma manifestação dessa forma de vida, património vivo dessa cultura.

O guardião desta localidade é o Cão de Castro Laboreiro, defendendo o gado do grande predador o «Lobo Ibérico», conhecido pela sua rusticidade, carácter e nobreza desde tempos idos. Este animal, nobre e fiel, é um património nacional vivo que devemos proteger e preservar, uma raça autóctone ancestral.

E assim é Portugal, um país de belezas ancestrais, de uma diversidade estonteante.

Parabéns.


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